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Ler para crianças é uma ferramenta muito importante que auxilia na aquisição de habilidades essenciais para o desenvolvimento infantil. Além de criar uma conexão com os pequenos, por meio da leitura é possível que você estabeleça também uma série de estratégias que facilitam as crianças na compreensão de aspectos relacionados à linguagem, seja ela verbal ou não verbal.
Elas aprendem a se familiarizar com os sons das palavras, a compreender o que elas significam e a utilizá-las em diferentes contextos, ou seja, contar histórias para crianças as ajuda a conhecer o mundo que as rodeia de uma maneira lúdica. Crianças que aprendem com os livros têm uma maior facilidade em compreender questões sociais e reagir de maneira adequada na interação com os outros. Nesse sentido, é possível que crianças que tenham um maior contato com a leitura tenham também uma maior facilidade em regular suas emoções e adequá-las a diferentes situações.
Quando falamos em ler para crianças com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) a ideia não é diferente e os benefícios são os mesmos, embora seja necessária uma atenção maior nesse processo. Crianças com TEA vivenciam dificuldades no que se refere a manter a atenção, bem como em aspectos relacionados a habilidades sociais e também habilidades ligadas à compreensão de leitura futura se comparadas com crianças sem esse transtorno. No entanto, alguns estudos mostram uma forte correlação entre leitura de palavras e compreensão de leitura, sugerindo que crianças com TEA que apresentam maior habilidades de leitura de palavras também tendem a ter maior compreensão da leitura.
Nesse sentido, é possível que intervenções fornecidas precocemente, como a leitura frequente, possam compensar as dificuldades de compreensão posteriores. Sendo assim, ler para uma criança com TEA a ajuda a se conectar com essa experiência desde que sejam incluídas algumas estratégias durante a leitura, como por exemplo:
A leitura compartilhada pode ser uma experiência extraordinária para você e para a criança com TEA, por isso tenha paciência para explicar e ajudar a criança a descobrir suas capacidades ao longo desse processo. Fique atento às necessidades da criança e também a suas e não esqueça que cada um aprende no seu ritmo e que isso precisa ser respeitado para que a aprendizagem seja realmente efetiva. Quando vocês perceberem que estão avançando, comemorem! Isso vai trazer mais confiança e amor pela leitura.
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Olá, Hoje, venho falar sobre um assunto que nos últimos tempos, muitos pais têm nos procurado para perguntar como abordar o tema de diversos tipos de preconceitos com as crianças, em especial, o racismo, pois ninguém (pelo menos em sã consciência) gostaria de ter um filho racista.
Os pais, hoje, num mundo globalizado, estão cada vez mais atentos e querendo ferramentas de como educar crianças mais conscientes e de pensamento crítico apurado, e eu fico muito feliz com isso.
Sou mãe de três crianças e dentre elas uma fenotipicamente preta e o primeiro contato do meu filho com o racismo, foi aos 4 anos de idade, por conta de um penteado de tranças nagô. Até então, o meu filho não tinha percepção do racismo, até poderia ter passado por alguma situação de racismo, mas não houve percepção dele até esse acontecimento, o que foi muito pesado pra ele, pois não veio de um adulto, foi de um “igual”, de um amiguinho da creche, que o repreendeu dizendo que o cabelo dele estava esquisito e feio. Nós tínhamos voltado do Brasil naquele fim de semana e ele vinha sendo muito elogiado pelo penteado, desde a saída do aeroporto até a chegada na Alemanha. Todos dizendo o quanto ele estava lindo e maravilhoso e ele estava se sentindo incrível com aquele cabelo azul de tranças até uma outra criança de sua mesma idade dizer pra ele que achou o seu cabelo muito feio… Como empoderar uma criança diante de uma situação dessas? E como convencê-la de que o que o amiguinho disse, não deveria ter peso algum, assim como não ser levado em consideração? Eu, como mãe, busquei fortalecer a autoestima do meu filho. Nós lemos um livro. Um livro sobre as diferenças, e fui mostrando pra ele, que ele é lindo do jeitinho que ele é! E inclusive, esse penteado faz parte da construção de quem ele é.
Para despertar consciência racial nas crianças é preciso antes trabalhar o racismo com os adultos. Mas seria possível criar os pequeninos livres de preconceito?
A maioria dos comportamentos de um indivíduo é aprendido, ou seja, assimilado ao longo das experiências de vida e leva em consideração a convivência com o outro. Estudiosos do tema afirmam que o racismo é estrutural e que, de acordo com a Organização dos Estados Americanos (OEA), está intrínseco nas sociedades ocidentais.
A criança não nasce racista, porém existem crianças racistas, pois a criança é influenciada pelo meio em que está inserida. Diante da importância de tratarmos esse tema com adultos e crianças, venho aqui sugerir 4 dicas para educar uma criança antirracista, combater o racismo entre crianças e principalmente estimular o respeito às diferenças:
1. Respeito acima de preferências:
O diálogo é muito importante. Por vezes, a criança taxa um colega de “esquisito” ou “diferente”, por exemplo. Diante desta situação, você tem uma oportunidade para reforçar para sua criança que ela pode escolher seus amigos, de acordo com as afinidades, mas que necessariamente deve respeitar as diferenças. Independente da pessoa do coleguinha pertencer ao seu ciclo de amigos ou não. Reforçar que o respeito vem antes de quaisquer preferência, é importantíssimo.
2. Filmes e livros infantis sobre o tema:
A utilização de filmes e livros infantis, na luta contra os preconceitos e a favor da inclusão são excelentes atividades! Listamos aqui algumas sugestões:
FLOAT: é um curta-metragem lançado pela Pixar e baseado em uma história real e pessoal do roteirista e sua experiência com o filho que é autista, abordando a inclusão de pessoas que apresentam esse transtorno.
DRUFS: uma história que se desenrola em uma escola e por causa de uma lição, os alunos são desafiados a escreverem sobre suas famílias. E assim começa a história, e os alunos começam a entender diferentes peculiaridades que formam as diversas famílias. Esse seria um grande aprendizado sobre as diversidades com as quais todos nós lidamos, diariamente.
SHREK: um clássico do cinema infanto juvenil, que traz a desconstrução de estereótipos e a aceitação ao próximo. Neste filme é apresentado várias formas de amizade e amor, ultrapassando qualquer preconceito, unindo diferentes grupos.
Livros também são uma ótima ferramenta de combate ao preconceito, aqui listamos alguns:
Tudo bem ser diferente: O livro do escritor e ilustrador norte-americano Todd Parr têm como mote a diversidade. Tudo Bem Ser Diferente aborda assuntos como adoção, separação, deficiência e preconceito racial de maneira divertida.
Flicts: o livro conta a história de uma cor “diferente”, que não consegue se encaixar no arco-íris, nas bandeiras e em lugar nenhum. Ao longo da história, “Flicts” vai se conformando que “não tinha a força do vermelho, a imensidão do amarelo, nem a paz do azul”, mas entende que todas as pessoas, por mais diferentes, possuem seu lugar.
O Outro mundo de Pipo: A trama aborda a realidade de Pipo, um menino incrível, mas cuja forma de pensar e de agir é diferente das outras crianças. A forma lúdica empregada pelo autor aumenta o entendimento por parte de familiares e profissionais sobre a realidade de crianças e jovens com autismo, Síndrome de Asperger, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), entre outros — todos ligados direta e indiretamente ao universo da neuro-diversidade. Para tanto, a proposta do material não é clínica, mas, sim, filosófica. Os livros desta nova série são destinados a todos que se interessam pelo tema, gerando sociabilização e, principalmente, aprendizado mútuo.
3. Permita que seu filho conviva com as diferenças e combata o preconceito infantil:
Levar seu filho para lugares frequentados por pessoas diversas, apresentar conteúdos de diferentes países e diferentes idiomas são outras atitudes importantes. Ressaltar como o mundo é grande e como ele possibilita aprendizados infinitos, são boas formas para treinar o olhar a perceber como as diferenças são importantes formas de expressão e de felicidade. Quanto mais seu filho for exposto às diferenças, com mais naturalidade ele irá encará-las.
Não tenha medo de apresentar o mundo para o seu filho e discutir questões importantes. Como, por exemplo, a pobreza, fome, responsabilidade social, economia etc. Claro que sempre adaptando as complexidades para a faixa-etária. Lembre-se que quanto menos resistência tivermos perante os assuntos, mais naturalidade teremos para conversar com os nossos filhos sobre as pluralidades.
E a minha última e mais importante dica:
4. Seja o exemplo:
Como em todas as outras questões envolvendo crianças, muito do aprendizado se dá pelo exemplo. Se você reforça comportamentos discriminatórios, faz comentários preconceituosos ou tem dificuldade para lidar com diferenças, há grandes chances de que seu filho repita isso. Aproveite a oportunidade para aprender junto com a criança sobre o tema. Além disso, respeite a criança em sua individualidade e identidade, reforçando a autoestima dela. Vale novamente lembrar que crianças não nascem preconceituosas, elas aprendem com os adultos a discriminar.
Conta para a gente, gostou das nossas dicas? O que você faz para criar uma criança sem preconceitos? E como você combate o preconceito infantil na sua casa?
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Por mais que nos pareça óbvio, é sempre importante a reflexão sobre o fato de que não há educação de qualidade sem compreensão do valor e da importância da diversidade.
A diversidade independe de opinião, crenças, de um querer. A diversidade é. Está para a vida como o ar para nossos pulmões.
Imagine que você está numa praça bonita, com ruas no entorno, cheias de árvores, pessoas conversando, crianças correndo, cachorros brincando…E no meio disso tudo alguém diz que uma pessoa se perdeu. Todos pensam em procurar, mas tem um porém: os movimentos não podem ser bruscos. É que a pessoa que se perdeu não pode perceber que estão procurando por ela, caso contrário, ela pode se assustar, causando algum acidente.
Então o jeito é observar o entorno. Do ângulo que você está, consegue ver a rua. Da posição que estou, vejo o centro da praça. Um de nossos amigos sempre canta na praça e toca seu encantador violão andando entre as pessoas. Cada um de nós, de onde estamos, pautados na forma como enxergamos o mundo, baseados em nossas experiências de vida, que nos ajudam a observar coisas que talvez outras pessoas não notem, fazendo uso de nossas habilidades e competências, poderemos juntos e juntas achar a pessoa que se perdeu.
A diversidade é assim. As minhas potencialidades se constroem porque sou o que sou também em decorrência do meio que vivo. Afeto e sou afetada. Se essa diversidade que marca nossa existência é ignorada, então construímos uma hierarquia de conhecimento, de modos de aprender, e começamos a menosprezar o outro, que é diferente de nós, quando na verdade deveríamos enxergar o quanto essa diversidade é maravilhosa. Começamos então a acreditar numa falsa ideia de que é bom e normal aquilo que é homogêneo e rechaçamos o que é diverso.
Educar com base na diversidade nos evidencia o que há de mais essencialmente humano em nós: o fato de sermos únicos e, quando juntos e juntas, criamos algo poderoso.
Não há, de nenhuma forma, um meio próspero de educar sem que a diversidade esteja no centro de nossas ações.
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Por mais que nos pareça óbvio, é sempre importante a reflexão sobre o fato de que não há educação de qualidade sem compreensão do valor e da importância da diversidade.
A diversidade independe de opinião, crenças, de um querer. A diversidade é. Está para a vida como o ar para nossos pulmões.
Imagine que você está numa praça bonita, com ruas no entorno, cheias de árvores, pessoas conversando, crianças correndo, cachorros brincando…E no meio disso tudo alguém diz que uma pessoa se perdeu. Todos pensam em procurar, mas tem um porém: os movimentos não podem ser bruscos. É que a pessoa que se perdeu não pode perceber que estão procurando por ela, caso contrário, ela pode se assustar, causando algum acidente.
Então o jeito é observar o entorno. Do ângulo que você está, consegue ver a rua. Da posição que estou, vejo o centro da praça. Um de nossos amigos sempre canta na praça e toca seu encantador violão andando entre as pessoas. Cada um de nós, de onde estamos, pautados na forma como enxergamos o mundo, baseados em nossas experiências de vida, que nos ajudam a observar coisas que talvez outras pessoas não notem, fazendo uso de nossas habilidades e competências, poderemos juntos e juntas achar a pessoa que se perdeu.
A diversidade é assim. As minhas potencialidades se constroem porque sou o que sou também em decorrência do meio que vivo. Afeto e sou afetada. Se essa diversidade que marca nossa existência é ignorada, então construímos uma hierarquia de conhecimento, de modos de aprender, e começamos a menosprezar o outro, que é diferente de nós, quando na verdade deveríamos enxergar o quanto essa diversidade é maravilhosa. Começamos então a acreditar numa falsa ideia de que é bom e normal aquilo que é homogêneo e rechaçamos o que é diverso.
Educar com base na diversidade nos evidencia o que há de mais essencialmente humano em nós: o fato de sermos únicos e, quando juntos e juntas, criamos algo poderoso.
Não há, de nenhuma forma, um meio próspero de educar sem que a diversidade esteja no centro de nossas ações.
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Estudiosos das áreas de psicologia e educação têm estudado, a pouco mais de quatro décadas, o papel da leitura para o desenvolvimento infantil. As experiências literárias no contexto familiar e escolar impulsionariam de forma positiva o desenvolvimento cognitivo, linguístico, afetivo e social. Dessa forma, os fatores ambientais seriam os principais mediadores da velocidade com que as crianças aprendem, assim como do seu sucesso no processo de aprendizagem. Isso significa, que o papel destinado à leitura na rotina familiar consiste em um dos fatores mais importantes no desenvolvimento infantil.
A simples atividade de ler um livro proporciona para a criança experiências literárias únicas vividas no momento da leitura. Através dela, a criança registra experiências agradáveis, uma vez que a linguagem, os sons e o ritmo começam a fazer parte do seu universo. O ouvir e contar histórias tornam-se ferramentas de interpretação do que acontece consigo e à sua volta, dando significado e sentido àquilo que faz, vive e experiencia. A leitura, portanto, funciona como um princípio de estruturação dos processos cognitivos e psicoafetivos da criança, ajudando-a na compreensão do mundo em que vive.
Por meio da história a criança pode se identificar com personagens, colocar-se no papel deles e em determinadas situações. Isso permite com que elas tenham condições de trabalhar conflitos inerentes a própria infância, ou ainda questões específicas, vividas em seu contexto familiar e social. Dessa forma, as obras literárias auxiliam os pequenos na busca de estratégias e soluções para lidar com situações sociais e emocionais pertencentes a uma fase específica do desenvolvimento, assim como outras experienciadas no seu dia-a-dia.
A leitura pode ser, portanto, utilizada por pais e educadores como uma excelente estratégia para estimular as crianças a falar sobre os sentimentos gerados através da história, sobre comportamentos, assim como sobre temas e assuntos relevantes e até mesmo mais complexos de serem abordados diretamente. Os livros infantis, mesmo dedicados ao mundo infantil, podem ainda penetrar no universo adulto, ativando nele pontos importantes de reflexão.
Considerando a expansão da oferta de conteúdos digitais para crianças, o livro continua sendo um excelente recurso a ser utilizado pelos pais e educadores no desenvolvimento de diversos tipos de atividades alternativas. Como recomendável pela Academia Americana de Pediatria (AAP), as crianças deveriam ficar longe, ou então pouco expostas às telas de tablet, smartphone, computador e televisão. Embora os aplicativos digitais e e-books tragam muitas vezes conteúdo rico e estimulante, os livros continuam exercendo seu papel importante no processo de aquisição da linguagem e desenvolvimento psicoafetivo das crianças.
Referencias
Dickinson, D. K., Griffith, J. A., Golinkoff, R. M. & Hirsh-Pasek, K. (2012): How Reading Books Fosters Language Development around the World. Child Development Research, pp. 1-15.
Wirth, A., Ehmig, S. C., Drescher, N., Guffler, S., & Niklas, F. (2020). Facets of the early home literacy environment and children’s linguistic and socioemotional competencies. Early Education and Development, 31(6), 892-909.
Wirth, A., Ehmig, S.C., Heymann, L., & Niklas, F. (2020). Das Vorleseverhalten von Eltern mit Kindern in den ersten drei Lebensjahren in Zusammenhang mit familiärer Lernumwelt und Sprachentwicklung. Frühe Bildung, 9, 26-32.
Rizzoli, M. C. (2009): Literaturas com letras e sem letras na educação infantil do norte da Itália, In A. N. G. Faria e S. A. Mello (org.), Linguagens infantis: outras formas de leitura. 2 ed. Campinas, SP.
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